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Cada qual com sua particularidade, é fundamental reconhecer na figura do empreendedor o risco intrínseco. Risco de olhar para o novo e tentar, ou olhar para o “velho” e renová-lo. Arriscam, querem sempre mais, questionam e enfrentam os “nãos”.

A partir século XX, quando foi criada grande parte das invenções que nos impulsionaram ao cenário atual, o dinamismo do mundo ficou mais acentuado, e o “querer mais”, tanto dos consumidores, quanto dos empreendedores, foi ficando insaciável. Frutos do capitalismo. Frutos de mentes visionárias. Frutos de empreendedores. Assim, o céu, que antes era o limite, passou a representar mais uma das conquistas da humanidade moderna, caracterizada também pela flexibilidade e rápida expansividade, tornando o poder em uma “entidade extraterritorial”.

Os avanços tecnológicos abrem espaço para o surgimento de novas ideias, consequentemente, para novos empreendedores, que exercem um papel fundamental na sociedade. São eles os verdadeiros propulsores da economia, vez que criam novos mercados e com isso mais empregos. A era que estamos vivendo hoje possivelmente foi planejada (em menor escala) há alguns anos, e podemos chamar essa tela pintada de Era do Empreendedorismo, em que as barreiras tornaram-se praticamente inexistentes com o advento globalização, e todos possuem o mesmo objetivo: ter. O consumidor quer ter sempre mais, demandam produtos inovadores, práticos e que facilitem suas vidas. O empreendedor quer ter sempre mais mercado, e para isso, atentam-se aos desejos da massa consumidora. Aquele que não se atenta ao contexto, é rapidamente superado. Devem os empreendedores portar-se como nômades frente aos desejos dos consumidores que surgem a cada dia, e nesse sentido, destaca-se que “fixar-se muito fortemente pode ser prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem” (Bauman, Z. Modernidade líquida. 2001, p. 21).

A inovação é a palavra chave para todo o processo. Sair do estado sólido e buscar liquidez é a semente do empreendedor, que deve se portar como fluídos, já dizia Bauman (2001, p. 08) “os fluidos não se atêm muito a qualquer forma e estão constantemente prontos (e propensos) a mudá-la”. Independentemente se o negócio em questão vincula-se à produção de bens duráveis ou não duráveis, ou então à produção ou circulação de serviços, o indivíduo é considerado empreendedor se consegue romper a ordem econômica existente, introduzindo novas ideias e novas formas de organização, além de explorar novos recursos e materiais. Para ser de fato um empreendedor, é preciso materializar as ideias abstratas em um planejamento concreto, ser criativo, dinâmico, calcular todos os riscos possíveis e estar disposto a enfrentá-los e, principalmente, saber agarrar as oportunidades. Um empreendedor é um sábio identificador de oportunidades.

Sem inovações, compatíveis com o momento, a atividade torna-se completamente inviável. Em uma época como a atual, em que as novidades tornam-se obsoletas em pouco tempo, a constante busca pela inovação (para satisfazer o hedonismo da sociedade capitalista) é, em disparada, o mais importante. Transformar ideias em oportunidades, através da relação entre pessoas e processo é basicamente a arte de empreender. Aquele que identifica oportunidades cria meios, busca informações e une tudo com a demanda do momento, incansável e devotamente, tem características essenciais de um empreendedor, que se souber projetar e calcular riscos, possui grandes oportunidades de prosperar. O empreendedor pode se destacar não só na criação de um novo negócio, mas sendo “corporativo”, isto é, reformulando algo já existente.

Os planos de carreira oferecidos por grandes empresas, há vinte anos, eram extremamente convidativos aos recém-formados, que buscavam uma colocação estável e bem sucedida no mercado de trabalho. A administração era voltada para a gerência de empresas, e não para a criação de empresas. De forma rápida, trabalhar para os outros tornou-se um labor não tão convidativo, quando então o foco passou a ser na criação de novos negócios, ou melhor, do próprio negócio. O risco passou a ser mais atrativo do que a estabilidade, uma vez que poderia proporcionar resultados estratosféricos, se bem planejado. E isso aconteceu recentemente, não mais de 15 anos. Algumas recomendações provenientes de uma reunião realizada pelo Fórum Econômico Mundial, em 2009 são necessárias, para que os novos empreendedores consigam atender as demandas infinitas, característica do século XXI, entre elas: desenvolver habilidades de liderança e domínio do contexto social e ampliar o uso da tecnologia, extremamente importante na aproximação dos mercados mundiais.

Diretamente no Brasil, o empreendedorismo começou a ganhar força na década de 90 através da criação de entidades como o Sebrae e Softex. O mais conhecido é o Sebrae, que auxilia o pequeno empresário através de suporte e consultorias, tanto para a criação quanto para o desenvolvimento do negócio. O Brasil investiu no “novo ramo” através de legislações específicas e voltadas as micro e pequenas empresas, como a Lei da Inovacao e a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, também dispondo sobre o assunto nos Juizados Especiais, Código do Consumidor e outras leis ordinárias. Outro avanço legislativo, possivelmente o mais significativo para a constituição das empresas, é o Código Civil de 2002, com o Livro II “Direito de Empresa”, artigos 966 a 1195, dispondo desde conceitos elementares até institutos complementares.

Quanto ao ensino da disciplina, formação obrigatória em algumas universidades, a introdução do empreendedorismo nas grades curriculares consolidou a fase da disseminação, ou seja, a fase inicial e de conhecimento. O contato, mesmo que superficial com a disciplina, produz resultado na instigação do indivíduo a pensar no novo e voltar seus projetos não mais a um caminho único, mas pensar em alternativas ao mercado de trabalho. Poderá o Brasil se destacar no cenário do empreendedorismo em poucos anos, se souber aproveitar as oportunidades que dois eventos mundiais podem proporcionar – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – lembrando que o desenvolvimento é contínuo, e deverão os empresários se aperfeiçoar mesmo após o término dos marcos supracitados, caso contrário sobrarão apenas ruínas de uma “chance de ouro”.

No entanto, nosso país ainda assim não possui uma cultura empreendedora forte, que impulsione os indivíduos a criarem e gerirem seus próprios negócios. Portanto, é de grande necessidade e utilidade que o governo, juntamente com a iniciativa privada, atue nesse segmento, disseminando tal cultura no sistema educacional, estimulando a pesquisa e influenciando a entrada da pequena empresa no mercado mundial.

No sentido mais técnico, podemos extrair dos estudos anuais realizados pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), duas definições de empreendedorismo. O primeiro é o de oportunidade, em que há o planejamento correto e estruturado na criação de uma empresa, o que aumenta sua chance de participar ativamente do crescimento econômico, sendo o empreendedor desta um visionário certeiro, com “olhos de lince”. A segunda perspectiva é pautada na necessidade, ou seja, o empreendedor busca na atividade uma saída financeira rápida por estar fora do mercado de trabalho, age na impulsividade, sem planejamento essencial e, por conta disso, grande parte das vezes fracassa em um curto período de tempo. O empreendedorismo de oportunidade é recorrente nos países em desenvolvimento, uma vez que não possuem uma etapa consolidada e certeira como o auxilio na criação de novos negócios e amparo àquele que decide se arriscar.

O ritmo intenso de mudanças vivido hoje no mercado de trabalho exige do indivíduo atitudes e comportamentos necessários para direcionar sua vida profissional. Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde as pessoas abrem negócios próprios por vocação, sonho ou “oportunidade de mercado”, aqui a decisão é motivada principalmente pela falta de alternativa no mercado de trabalho. O que significa que o empreendedorismo, mesmo que de forma espontânea e um tanto simplória, acaba sendo a saída para essas pessoas driblarem o desemprego e garantirem seu próprio sustento.

Os negócios de sucesso são os que, basicamente, possuem quatro elementos intimamente ligados: talento cumulado com o comprometimento das pessoas envolvidas, ideias que podem ser aperfeiçoadas ou dissipadas através da tecnologia; capital como recurso disponível para as pesquisas e desenvolvimento necessário e certo domínio sobre o assunto, o chamado “know-how”. Mas o que leva as pessoas, que muitas vezes estão inseridas em um mercado de trabalho estável, a arriscar? Fatores externos, sociais, pessoais e principalmente o desejo, seja ele de trabalhar “por conta” ou desenvolver uma habilidade. Vale ressaltar que o verdadeiro empreendedor é aquele que se dedica fielmente ao seu projeto, apesar de termos muitos no mercado que atuam apenas com o capital, mas dedicam seu trabalho a empresas de carreira.

Além de todo o esforço empregado para o sucesso do empreendimento, os empreendedores utilizam seu capital intelectual para agregar valor à sociedade, já que, ao transformar de forma criativa uma ideia em negocio, dinamizam a economia e criam novas oportunidades de emprego. Dessa forma, o empreendedor tem iniciativa para criar um novo negócio e utiliza os recursos disponíveis de modo inovador, transformando o ambiente social e econômico onde vive.

Para se ter um processo empreendedor, é necessário três fatores, planejamento, equipe e recurso, que, quando somados, é possível notar a presença de quatro fases distintas, quais sejam: Identificar a oportunidade; desenvolver a estratégia (plano de negócios); calcular e obter os recursos financeiros e materiais necessários e por fim, gerenciar de forma profissional o negócio criado.

Jeffry Timmons, em sua teoria, já previu em 1990 a força da atividade que influencia constantemente na maneira de se fazer novos negócios e de criar novos tempos, concluindo que “o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século XX.”. (Dornelas, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 2003, p. 01).

Empreendedores são aqueles que entendem que há uma pequena diferença entre obstáculos e oportunidades, e são capazes de transformar ambos em vantagem”.

(Nicolau Maquiavel)

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