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Roberto Macedo, professor da FEA/USP, ex-presidente do IPEA

“O Brasil passou por uma recessão de dois anos embutida numa depressão, que já dura cinco, e há 40 anos também passa por uma estagnação. Essa estagnação prejudicou muito as gerações mais recentes. Percebi que nas gerações passadas havia muita ascensão social, ou seja, o status social dos filhos superava o dos pais. Hoje, isso se inverteu, com os filhos tendo dificuldade de até mesmo manter o status social dos pais. Poderíamos crescer mais do que esses hoje tão sonhados 2,5% pelo mercado financeiro, se quem manda no País se voltasse também para essa estagnação, diagnosticando-a com profundidade e procurando solucioná-la. Além de reformas, como as preconizadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e de outras que deveriam ser cogitadas, como as do Legislativo e do Judiciário, o País precisa ter um plano estratégico de desenvolvimento de longo prazo. É preciso pensar num plano que ataque várias coisas ao mesmo tempo. A essência tem de ser o aumento do investimento. Também tem de estimular o avanço tecnológico, melhorar a educação. É preciso ter algo mais arrumado, que capte o investimento estrangeiro, aumente as exportações. As exportações funcionam como investimento, porque, quando se vende produtos para o exterior, gera-se renda dentro do País. Hoje, o debate econômico está excessivamente focado em políticas macroeconômicas de curto prazo, como a fiscal e a monetária, mais voltadas para movimentos cíclicos da economia. É preciso buscar uma tendência sustentável de crescimento. E isso é da esfera do desenvolvimento econômico.”

Fonte: Caderno de Economia – Estadão
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pior-decada-o-que-dizem-os-economistas

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