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Responsáveis por significativa parcela da economia nacional e, principalmente, pelos empregos, as micro e pequenas empresas (MPEs) enfrentam desafios gigantescos. Bombardeadas pela crise econômica e pela informalidade – causas essas bastante interligadas -, podem encontrar na transformação digital um bom caminho de desenvolvimento e sustentabilidade. Para isso é necessário, porém, informação transformada em conhecimento.

Segundo dados do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), essas empresas representam, no Brasil, 99,1% do total registrado. São mais de 12 milhões de negócios, dos quais 8,3 milhões são microempreendedores individuais (MEIs), respondendo por 52,2% dos empregos gerados pelas empresas no País. De outro lado, o segmento tem uma participação desproporcional no Produto Interno Bruno (PIB) do setor empresarial, gerando apenas 25% do total.

Para o consultor do Sebrae Minas, Vitor Mota Ferreira, o chamado “varejo 4.0” é a revolução silenciosa capaz de transformar o varejo moderno, especialmente no Brasil, um dos países mais conectados do mundo. Hoje, o País já tem dois dispositivos digitais por habitante, segundo a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) e divulgada em abril. Entre os aparelhos, o smartphone é o preferido. São 230 milhões de celulares ativos no País. Houve um aumento de 10 milhões no número de smartphones ativos em relação a 2018.

Toda essa conectividade traz mudanças nos hábitos de consumo. Hoje, todos buscam comodidade, ninguém tem tempo para ficar preso no trânsito ou escolhendo um produto na loja, daí o crescimento do e-commerce. Essa constatação, que pode levar ao fim do varejo físico, por outro lado, pode gerar oportunidades para quem souber entender esses novos tempos.

“As pessoas gostam de comodidade, mas também de contato. O novo varejo precisa integrar essas duas experiências. A empresa precisa ajudar o cliente na sua jornada de compra, estando pronta para atender através do canal escolhido naquele momento. É o omnichannell. Não é à toa que a Amazon, por exemplo, abriu uma loja física. Hoje a informação é o principal ativo do varejo. A partir do momento que ele sabe o que e como o consumidor quer comprar, está pronto para vender”, explica Ferreira.

O ambiente digital oferece uma infinidade de oportunidades e ferramentas. A expressão do momento é “marketing digital”. Resumindo de forma direta, esse tipo de marketing “são ações de comunicação que as empresas podem utilizar por meio da internet, da telefonia celular e outros meios digitais, para assim divulgar e comercializar seus produtos, conquistando novos clientes e melhorando a sua rede de relacionamentos”. Mas como fazer isso em empresas com pouca estrutura, em que os maiores esforços estão concentrados na produção e na venda?

O consultor do Sebrae Minas especializado no tema, Jonas Bovolenta, destaca que a era digital ajudou a formar um consumidor cada vez mais informado, criterioso e crítico, capaz de se tornar um “formador de opinião”. O grande desafio das marcas é serem assertivas na sua interação com o consumidor.

“O fim é comercial, mas o meio é o relacionamento. Existem muitas ferramentas gratuitas ou extremamente baratas disponíveis para qualquer tipo de empresa, mas o empresário precisa buscar conhecimento, saber o mínimo. O marketing digital tem que ser visto como um custo fixo porque quem não é visto na rede, nunca é lembrado”, pontua Bovolenta.

Se a falta de capacidade de investimento pode limitar a ação das micro e pequenas empresas, a estrutura bem menos burocrática deve ser uma vantagem. Aos poucos os empresários estão se sensibilizando quanto ao tema e trabalhando melhor a comunicação digital.

“O contexto digital tem que ser tratado de maneira empática, de pessoa pra pessoa. O empresário tem que pensar como consumidor. Outro ponto importante é desmitificar que tecnologia e inovação são caras e só para grandes empresas. Requer, sim, criatividade e conhecimento. Se feito de maneira estratégica traz resultados”, completa o consultor do Sebrae Minas.

Impactos – Os impactos da transformação digital no varejo vão além das relações de consumo. O cenário empresarial e profissional já passa por mudanças significativas. Agilidade e rapidez na tomada de decisões é um ativo cada vez mais caro. Para o consultor do Sebrae Minas, Evandro Júnio Gonçalves do Carmo, o varejo precisa e está incorporando a chamada cultura startup que ensina a implementar logo a ideia, considerar o erro uma oportunidade de aprendizado e recomeçar rapidamente. Trabalhadores e gestores devem se adaptar a esse novo tempo.

“A essência é aprender que o consumo evolui e que precisamos construir nosso futuro. Não é mais possível esperar que as coisas aconteçam porque elas acontecem com o tempo todo. A inovação, hoje, segue um ritmo constante, não conseguimos mais detectar o início e o fim dos ciclos. O futuro não nos dá mais tempo, precisamos de menos planejamento e mais ação”, afirma Carmo.

Uma das novidades desse novo tempo é o marketing social. O consumidor desse século quer mais do que simplesmente um bom produto ou serviço por um preço justo. Ele quer que a empresa seja responsável em seus processos e na relação com seus diferentes públicos, inclusive aqueles que, em tese, não têm relação direta com o negócio.

Segundo o consultor da Kaptha – agência de projetos de captação e marketing social, Alexandre Ferreira, também não é suficiente apenas ser responsável, é preciso comunicar isso aos steakhoders e engajá-los. Tocar a mente e o coração dos clientes é a missão.

“Sabemos que apoiar causas relevantes valoriza as marcas, criando diferenciais em relação à concorrência. A pergunta é como as empresas de pequeno porte podem fazer isso. Não existe uma receita só. Esse propósito depende muito dos gestores criarem um círculo virtuoso, encontrando uma causa alinhada com os propósitos da empresa e da equipe para não correr o risco disso parecer demagogia”, alerta Ferreira.

Se criatividade e informação formam o principal ativo das empresas, ter capacidade de fazer o negócio se manter economicamente saudável é fundamental. Nem sempre conhecida, a possibilidade de conseguir crédito em bancos de fomento como o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) pode ser a solução almejada.

Segundo o superintendente de Micro e Pequenas Empresas do BDMG, Rodrigo Teixeira Neves, o processo pode ser totalmente feito via internet de maneira descomplicada. O banco tem todo um cardápio de produtos voltado para essas empresas. Em caso de aprovação o contrato é gerado pela própria plataforma. Quem tiver dificuldade com o acesso pode também utilizar um representante do banco como associações comerciais e outras entidades, principalmente no interior. O valor médio de financiamento concedido para capital de giro fica entre R$ 35 mil e R$ 40 mil nesses casos.

“A resposta é sempre rápida e a internet torna o processo democrático. A maior dificuldade está no grau de informalidade desses negócios. Como um banco público temos um grau de exigência alto quanto à regularização da documentação. Temos um trabalho grande e sistemático para divulgar essas linhas de crédito mostrando que elas são acessíveis e que podem ser determinantes para o sucesso de um negócio e o desenvolvimento da economia do Estado”, destaca Neves.

FONTE: https://diariodocomercio.com.br/negocios/transformacao-digital-e-caminho-inevitavel/

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